Sabe aquele sentimento mágico quando você por acaso se depara com um texto e começa a lê-lo como quem não quer nada, mas logo em seguida as palavras te dominam e você se sente maravilhado diante de tantas frases bonitas? Eu queria poder fazer alguém se sentir assim. Admiro tanto aqueles que tem o dom da escrita. Eu gosto de escrever, mas não são raras as vezes que me perco nas palavras. Agora mesmo, está vendo? Eu me perdi. Tenho muitas coisas na cabeça, coisas demais. São tantas palavras desordenadas que eu já nem sei a melhor forma de escrevê-las, se é que devo. Me sinto tão confusa. Me pergunto se alguém entende essa minha confusão, ou pior, se alguém a admira da mesma forma que eu admiro a confusão ou não-confusão de outros tantos autores.
Por vezes me sinto tão confusa que desisto de escrever, daí a minha freqüente ausência. Mas, passado um tempo, eu desisto de desistir e volto a transcrever para o papel as minhas idéias, mesmo que confusas. Sou como um peixe no mar, que mesmo sem saber para onde ir, continua a nadar. Afinal, um peixe não sobrevive parado, e sem escrever, eu também não sobreviveria. Por isso eu escrevo, mesmo que não emocione ninguém, mesmo que não encante ninguém, mesmo que não seja entendida por ninguém. E se você acha que escrevendo eu esclareço a minha mente, muito pelo contrário, já não disse que me perco na minha confusão? Mas eu não me importo que ninguém entenda, não me importo que as minhas palavras não sejam tão admiradas quanto as de Drummond. Ou talvez eu me importe. Talvez seja por isso que eu continuo escrevendo, na esperança de que alguém também goste das minhas palavras. Quem sabe um dia não me apareça outro louco, maluco, me desejando parabéns?

Sou expert em dormir, comer e reclamar. Domino a arte de não fazer absolutamente nada. Sou tão desastrada que caio até em superfícies planas. Choro por besteira e ainda assisto desenhos infantis. Mas quer saber? É meu jeito de ser, e não mudo por ninguém.
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